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Introdução

Olá Sikianos! E o artigo de hoje é menos técnico a nível nutricional e de treino! Não vamos falar de proteínas nem cisteínas, muito menos de qual o melhor exercício.
O artigo de hoje é continuação de duas partes anteriores em que falei um pouco sobre a psicologia associado aos processos de mudança. No primeiro artigo falamos sobre a dificuldade em gerir o mindset de mudança e como é fácil perder a vontade de trabalhar para um objetivo. Podes ler mais aqui.
No segundo artigo falei um pouco sobre como as mudanças quando estão planeadas devem ser cómodas e tornarem-se práticas. Podes ler mais aqui.
Mas no artigo de hoje vamos dar continuidade falando de como podes voltar ao foco em fases em que parece que a tua jornada se torna dura e te foge como areia entre os dedos…

Histórias recorrentes

Tantas vezes já me aconteceu… “Porque é que perdi a motivação para realizar esta tarefa?”
Na parte dois do artigo falei um pouco de que a motivação por si só não é suficiente para te manter a bom ritmo. E deves saber de antemão de que qualquer plano, mesmo que desenhado de forma perfeita, às vezes falha. Eu falhei muitas vezes no passado, e ainda falho. O que mudou? Hoje estou preparado para que isso aconteça.
Ao longo do meu processo, e muito provavelmente do teu, existiram barreiras. Que muitas das vezes atrasam o teu progresso, mas não têm de te tirar completamente de curso. Quanto tinhas aquela dieta perfeita? E planeavas perder 900g por semana? Mas de repente tiveste 3 semanas seguidas de festas de anos, e tiveste de comer fora 8 vezes, e infelizmente mantiveste o peso?
Essas situações existem, e vão sempre existir, e podem tornar o caminho ligeiramente mais longo, mas se desistires, o caminho deixa de ser longo, e passa a ser nulo. O truque é ter pequenos truques, ferramentas e correções prontas para solucionar estas situações sempre que aconteçam.
Utiliza os hábitos que estão solidificados a teu favor para que consigas permanecer no curso certo:

Já pensaste na maioria das vezes que te levantas mais rápido e com menos preguiça ao fim de semana do que durante a semana? Porque a recompensa de acordar e ter o dia livre é possivelmente mais importante para ti do que levantar para ir trabalhar…

Se já fazes exercício tudo isto já fez parte do teu dia mesmo que não dês conta. Sabes qual é O Sinal, sabes qual vai ser a tua Rotina, mas muitas das vezes é desvalorizada a parte da Recompensa, e por isso muitos dos hábitos não se tornam permanentes.

Isto é tudo tão bonito… Mas falhar é uma treta! Eu detesto falhar, e provavelmente tu também. O sentimento de frustração e angústia é incontrolável na maioria das vezes.
 

Como falhar pode colocar-te em vantagem

Quando estava a tirar o meu curso de Engenharia Eletrotécnica, ainda não tinha tirado o curso e a maioria das pessoas já pensava me trabalhar, ganhar dinheiro e estar numa boa Empresa. Muitos dos meus colegas pensavam em candidatar-se para as melhores empresas e se por acaso fossem rejeitados:

“Que se lixe eu não queria ir para lá não era assim tão bom”

E eu pensava… A sério? Andaste a perder tempo para quê se não querias ir? Ou se realmente queres e estás em negação de não teres aceite, e porque desististe já?
Eu candidatei-me ao meu primeiro trabalho como licenciado, ainda sem ter os meus certificados recebidos nem todas as notas de exame… Não era bem a área de eletrotécnica, e todos estes pontos me colocavam em desvantagem. Era jovem, inexperiente e a empresa em questão era grande. Mas eu sempre fui bom a fazer planos, e queria ir preparado para no caso de não correr bem não desistir a primeira. Eu li um livro inteiro de preparação para reuniões e entrevistas para novatos, sabia as posições que deveria adotar, o tom de voz, a posição dos pés e a transmissão de tranquilidade. Aquilo que o meu curriculum não dava, dava a minha voz e a minha vontade de fazer mais e melhor.
E isto refletiu-se desde esse dia em diante em tudo o que fiz, nessa empresa onde fui aceite e contratado tendo uma das melhores notas na qualificação (das 4 fases de entrevista), desde ao investimento na minha formação noutras áreas, desde à criação do Projeto de onde vos escrevo hoje. Com um plano, um plano para fazer o meu melhor, mesmo quando a falha está à vista.
A maioria dos casos de stress são baseados na antevisão do futuro e não no estado atual.
Sabias que provavelmente o teu maior stress e/ou medo de falhar está relacionado com um evento futuro, e não no que te está a acontecer hoje?
Mas o teu sucesso no futuro depende do que estás a fazer e da forma como geres o stress e medo de falhar.
A maioria das vezes assim que ganhas coragem e ultrapassas as tuas barreiras, consegues atingir tudo o que queres.
Mas por vezes existem momentos em que por mais que tentes, parece que não chegas lá…
 

Quando deves continuar, e quando deves descansar

Imagina que estás a tentar perder peso, e que estás a tentar comer mais saudável todos os dias. Queres chegar ao Verão na tua melhor forma e estás a comer melhor, sem contar macros ou preciosismos, mas a comer bem dia após dia de forma consistente.
Mas um dia acordas, e não te apetece a papa de aveia. Olhas para ela colocas a aquecer pegas na colher e ficas a pensar:

”Como ou não como a aveia? Ou vou buscar um pão de deus à Padaria Tuguesa?”

Faz este teste e as respostas serão fáceis de analisar.
Quando forçar e manter o hábito que estás a trabalhar

  • O meu objetivo está alinhado com o que realmente quero?
    • Ex: quero realmente emagrecer, ou é pressão de terceiros?
  • Não cumprir com a tarefa planeada vai afetar a data que tenho em mente para atingir o meu objetivo?
    • Ex: Se for buscar o pão de deus, vai atrasar estar fit no verão?
  • Se não cumprir com esta tarefa, vou arrepender-me?
    • Ex: ficarei com sentimento de culpa por comer o pão?
  • Se não cumprir com esta atividade, afeto a vida de outra pessoa?

Se a resposta a alguma das perguntas acima é SIM a minha recomendação é que enfrentes a barreira e mantenhas o teu hábito, mesmo custando um pouco mais do que o habitual.
Quando descansar e aceitar não cumprir a tarefa

  • Estou a sentir uma enorme fadiga ou até depressão?
    • Ex: Não aguento mais pensar nestas comidas, já não tenho energia para o meu objetivo.
  • As tarefas que coloquei para realizar em direção ao meu objetivo estão a afetar as minhas relações?
    • Ex: Tenho dito insistentemente que não a qualquer jantar ou convívio de amigos para não comer “fora do plano”.
  • Posso tirar um dia “livre” sem que afete a data em que pretendo atingir o meu objetivo?
    • Ex: se comer mais livremente hoje, ainda posso chegar ao verão e sentir-me bem?
  • Se realizar a minha tarefa hoje, ponho em causa outras tarefas igualmente (ou mais) importantes na minha vida?

Se a resposta a alguma das perguntas acima é SIM a minha recomendação é que descanses, tires o dia para tratar de ti e dos assuntos urgentes e que planeies com calma os próximos dias.

Como colocar modo: Foco máximo

Quando decidi perder 50 quilos perguntaram-me no ginásio quando entrei:

  • Qual é o seu principal objetivo?

Ao que eu respondi: “Emagrecer, perder gordura, ficar mais forte, tornar-me mais saudável, bla bla bla whiskas saquetas”. Mas só respondi aquilo vago, muito vago.Mas mais tarde percebi que eram muitas coisas ao mesmo tempo… Algumas palpáveis, outras somente resultado das minhas ações e comportamentos.
Mais tarde voltaram a perguntar-me qual era o meu principal objetivo e respondi prontamente:

“Quero ter a Team mais fixe do país, uma Team única com um suporte e uma qualidade de entrega nunca antes vista em nenhum lugar neste planeta”

A cara feita quando respondia isto a toda a gente era surreal… Parecia que eu viveria “limitado” por esta ideia, e que não respondia diretamente ao que me perguntavam. A maioria das pessoas achou-me “limitado” por responder isto, como se não fizesse mais nada a não ser isto. Mas antes pelo contrário!
Eu libertei-me das coisas que não contribuíam para o meu objetivo principal, e continuei a fazer outras tarefas da minha vida que requeriam a minha dedicação (mesmo não sendo o meu objetivo principal não poderia abandonar tudo).
Escolher um objetivo principal não é limitante, É LIBERTADOR!
Enquanto esse objetivo não for atingido ou próximo do que poderá ser considerado atingido (sim porque já conseguimos ter a Team mais fixe do país ahaha), não vou perder tempo noutras áreas. Assim consigo usar o fator especificidade da melhor forma canalizando as energias onde eu realmente preciso delas.
O mesmo se aplica ao Fitness! Se queres realmente perder X kgs de peso e ficar com #bumbumnanuca tens de realizar as tarefas que realmente importam para lá chegar, se esse é o teu objetivo principal. Provavelmente tens de eliminar 70% do teu tempo morto como ver séries, ficar a olhar para o nada, ou simplesmente navegar do feed do Facebook e instagram. Porque queres trabalhar para o teu objetivo.
Esta é a forma mais eficiente de ficar super focado no que se tem para fazer. Se tiveres a coragem de aceitar a realidade acima em 70% é tempo morto e os outros 30% é tempo útil, em que parte desses 30% é tempo de trabalho/estudo, sobra pouco para o teu objetivo fitness. Assim pega no tempo morto, e utiliza esse tempo a canalizar energias na direção certa e não te preocupes em não fazer tudo o que querias porque vais atingir mais rapidamente o teu objetivo fitnesss e depois vais ter todo o tempo para esses hobbies! Assim que aprendas a fazer estas escolhas e gestão de tempo, conseguirás todos os objetivos a que te comprometeres.
E não te esqueças, descomplica.
Coach João
 

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