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Hoje festejamos o dia Internacional da Paz, e decidi desafiar-te a fazer as pazes contigo (tal como tentar fazer comigo nos últimos anos).

Abrindo as redes sociais há um mote bastante comum nos dias de hoje:

AMOR-PRÓPRIO

Soa-me fantástico! Eu, que tanto defendo que nos devemos desenvolver ao máximo em todas as áreas que nos cativam, sem nunca deixar de apreciar cada momento que passa.

Mas descubro que muito do que se lê não é bem o que eu pensava ser o Amor-próprio.

Sinto que em muitas vezes são misturados três conceitos distintos:

  • Aceitação
  • Compaixão
  • Autoestima e Confiança

E poderia ir mais além (e vou claro ao longo do artigo).

Eu testei em mim mesmo todos eles durante um mês. O que será que aprendi?

 

O Amor Próprio

Primeiro de tudo. O que significa isto? Segundo Débora Khoshaba :

“Amor-próprio é um estado de apreciação do teu ser, é um sentimento que cresce faz ações que suportam o nosso crescimento físico, psicológico e espiritual”

No fundo, é valorizares-te como ser humano, alguém a quem deva ser tido todo o respeito e amor. No fundo aquilo que todos, de alguma forma, queremos.

No entanto como se percebe, é um fenómeno cumulativo de pequenas ações, que levam a um estado.

Amor-próprio é um estado, e não um sentimento ou sensação. É um somar de várias coisas.

Quando procuras:

  • Melhorias na tua saúde e aparência
  • Estabilidade emocional
  • Crescimento como ser humano

Todas estas componentes somam-se e levam a atingir um estado de Amor-próprio verdadeiro.

E aqui começa a surgir a minha “dor” ao abrir as redes sociais… quando vejo alguém expor “come o que queres e ama-te”, isto baralha-me porque penso: estará a contribuir de alguma forma para a tua estabilidade emocional? Vais obter melhorias a nível de saúde e aparência? Desculpem-me, mas acho que não! E isso não pode ser o amor-próprio.

Amor-próprio não é arrogância, por isso mesmo que não queiras o amor-próprio andará sempre de mãos dadas com a tua imagem, e se não gostas da tua imagem, dificilmente gostarás de ti.

E se vives única e exclusivamente para a tua imagem?

O desequilíbrio é a base da tua vida, e transformaste o caminho para o Amor-próprio em Narcisismo. E não vais encontrar felicidade dentro de quatro paredes, agarrado a um telefone “scrollando” as redes Sociais.

Como vês, o meu mês deu-me muito em que pensar…

Principalmente que nos dois espetros, aprendi uma frase para a vida:

“A Felicidade é a presença do bem-estar na tua vida, e não somente a ausência de um estado miserável.”

Por isso fugir não trás felicidade, encarar a vida de frente e construir um ser melhor sim.

E falando em encarar, vamos à minha próxima descoberta?

 

Aceitação versus Negação

Aceitação é muito diferente de resignação, ou negação (negar a fazer mais ou aceitar que o que tens é suficiente). Aceitares como és, é saber onde estás hoje! É saber o teu ponto de partida, que não tem de ser o teu destino final.

E aqui dói-me a alma ao ver nas redes sociais o “vender a ideia” que aceitares é ser feliz com as tuas dobrinhas, ou com celulite… ou com outro “dito problema qualquer”! Fantástico!

A própria definição de aceitação compreende tudo, aceitar o bom e o mau da nossa vida. Por isso até aqui estamos bem e eu não tenho anda contra isso, e acho uma onda de solidariedade fantástica!

Mas será que é isso que tu queres? Será que aceitares onde estás, é impedimento de quereres um pouco mais para ti, de atingires um novo estado de aparência e de espírito?

Perdoem-me a minha “raiva”, mas eu tive muitas dobrinhas! 120 Quilos de dobrinhas pelo corpo todo… E aceitar por parecer moda, e não viver feliz é só uma fachada…

E perdoem-me novamente, mas eu aceitei: TODOS OS MEUS PROBLEMAS, para poder seguir em frente.

Consegues ver alguém que aceita a realidade, versus alguém que a nega?

  • Eu preciso fazer dieta para perder peso e tenho medo de não conseguir
  • Eu preciso fazer dieta para perder peso, MAS tenho medo de não conseguir

A diferença é o MAS, que não é mais do que uma objeção a mudar. Ao evitar as objeções aceitando até o mais difícil, vais estar a dar o primeiro passo para um ser mais evoluído, um ser que pode construir o seu Amor-próprio.

No dia que aceitares que as tuas ações e pensamentos podem ser errados por vezes, mas que isso não te define, compreenderás que há muito a fazer por ti. Não te julgues, porque ninguém o fará também. Desta forma abres porta a maior amiga da Aceitação: A Autoestima.

Assim que te aceitas como és, e decides fazer por melhorar os pontos menos positivos, estás a cultivar uma nova Autoestima.

No fundo tentar ter um pouco mais de compaixão por ti.

 

Compaixão e Narcisismo

Primeiro de tudo vamos a definições de conceitos. O que significa ter compaixão por ti?

“A compaixão pode ser definida como ser generoso e compreensivo contigo próprio, mesmo quando sentes que falhaste em algo, ou com alguém.”

No fundo começares a agir contigo, como agirias como um amigo! Quando alguém está mal e dás um ombro amigo, serves de suporte, conversas sobre o sofrimento, oferecendo bondade e compreensão.

O que nem sempre acontece quando te julgas, mas que tens as habilidades para o fazer.

No entanto além da compaixão deves pensar no Narcisismo que falei anteriormente:

Segundo a definição:

“O narcisismo leva a uma comparação com outros para te sentires melhor, de parecer que atingiste o objetivo em vez de o atingir, de requerer uma validação constante de outros, vendo tudo a preto e branco.”

 E isto? Vejo muito… A procura da validação escondida na procura da compaixão dos restantes.

E será esta a verdadeira Autoestima?

 

Autoestima versus (vestir a) Personagem

Novamente surge a Autoestima, é inevitável. Um dos fatores chave na tua confiança, na tua demonstração de segurança até nas mais pequenas ações.

Definição de Autoestima:

“Autoestima refere-se ao valor geral associado a uma pessoa, dado por ela própria. Pode ser considerado como uma pessoa mede os seus valores, aprovação, apreciação ou quanto gosta de si.”

Em muito acaba por tocar ou aproximar-se do que falamos do Amor-próprio e como diz o expert no assunto Morris Rosenberg: a Autoestima é a tua atitude em relação a ti próprio!

No entanto sinto uma enorme distorção entre Estima, e Autoestima.

Estima, é a forma como os outros nos veem, o respeito, o teu status, o reconhecimento e prestígio. A Autoestima é mais uma questão de atitude, de ti para ti.

Aliás se há algo que aprendi com o tempo, é que a autoestima pode influenciar a Estima que os outros sentem por ti.

Quem nunca conheceu aquela pessoa mal f**ida que parece que está sempre de mal com a vida?

As pessoas com baixa autoestima acabam por não viver no seu máximo esplendor levando muitas vezes a ser mais difícil ser aceite e apoiado por outros. A Autoestima ensinou-me que:

  • Devo apreciar-me assim como apreciar os outros
  • Devo encontrar o meu propósito de vida, desenvolvendo-me como pessoa e procurar algo que me leve a atingir um estado de grandeza face aos meus valores
  • Aumentar a minha criatividade, para respeitar mais a forma como me vejo a mim mesmo
  • Apostar em contribuir positivamente na vida dos outros, ajudando-os nas áreas que posso contribuir

E isto é bem diferente do que acabo por ver… Vemos toda a promessa de Autoestima, do “Ama-te como és”, mas essas mesmas pessoas vivem isoladas, sem convívio, sem ajudar outros, sem receber o poder do “Obrigado por estares aqui”, do riso que se dá quando se acaba uma tarefa em conjunto, aquele “Ufa já acabou!”.

O Vestir a personagem, o fingimento da autoestima gigante abaladora, que de tão abaladora só te abala a ti, porque nem tu acreditas em tanta falsa autoestima e cais no narcisismo…

Numa era de aprovação constante dos outros principalmente devido a redes sociais, a constante procura de aprovação como o mais original, mais confiante, mais bem-sucedido, a melhor transformação… Esqueces-te de ti! De te amar de verdade, de cultivar a estima por ti de uma forma que te leve a contagiar os outros não só pela forma como escreves, ou pelas fotos que tiras, mas pelo teu modo de estar!

Quando a autoestima é real isso nota-se em tudo o que fazes, a tua forma de estar serena, de tranquilidade e de felicidade transparecem nas entrelinhas, e transparecem mesmo quando não falas. Ninguém te vai pagar para representar neste filme que é a tua vida, por isso larga a personagem vestindo o teu papel sendo tu na tua essência. Mesmo que isto represente por vezes afastar de pessoas que não vão gostar do teu verdadeiro “eu”… Se não respeitas os teus valores viverás uma vida de negação.

 

Resumo

Foi um mês de leituras, e de testes que me levou a repensar muita coisa. Quanto mais lia, e mais aplicava mais estranho sentia este movimento que muitas das vezes me soa a “fachada” das redes sociais para mascarar a incapacidade de fazer mais por ti.

Nunca me vais ver como apologista de aceitares um ser miserável, se tiveres capacidades de ser melhor e tiveres recursos para tal! Ajudei centenas de pessoas a consegui-lo, e vou continuar a minha incessante luta de te fazer acreditar que também tu podes conseguir, de dentro para fora atingir um novo ser, de que te orgulhes, que aceites e que descubras por mim como amar-te verdadeiramente. Para que descubras a tua paz interior.

O que aprendi, mais uma vez, é que o Amor Próprio vai muito além daquilo que se escreve atrás dum teclado de um telemóvel ou computador, postando na Internet.

São precisas ações reais, e sinceras, que espalhem dentro de nós uma dose de honestidade e graciosidade que nos permita viver em Plenitude.

Aprendi que assim:

  • Tenho de aceitar sim a minha realidade, para saber o que menos de bom acontece na minha vida de forma a melhorar. Negar a realidade, ou evitar a mesma, leva a uma vida de resignação, para sempre infeliz.
  • Devo ter a mesma compaixão por mim como tenho por outros em momentos de maior dificuldade, sendo compreensivo e o meu próprio ombro amigo se preciso
  • Primeiro de tudo devo estimar, alimentando a minha autoestima o que levará a contribuir positivamente na vida de outros, o que fará não só mais feliz comigo, como feliz pela forma como me vêm

E acredito, piamente, que ao conseguir equilibrar estes três pontos chave estou mais próximo do que é realmente esse Amor-próprio que tanto falam.

Gostava de te desafias a contar-me sobre isto:

Tens cumprido com algum dos pontos acima? Concordas com o meu ponto de vista?

#Descomplica

Coach João

 

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