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Como detetar se a minha dieta está errada?

Como detetar se a minha dieta está errada?

A dúvida mais recorrente!

Será que está tudo bem?

Como muitos ou poucos hidratos?

Devia reduzir a gordura?

Será que consumo demasiados processados?

Será que são realmente estes os pontos mais importantes para ti?

Se nos conheces já ouviste certamente em vídeos ou em artigos nossos que acreditamos fortemente que a base assenta sempre em ter hábitos mais saudáveis antes de pensar em pequenos pormenores.

Podes até ler mais um pouco sobre os principais hábitos das maiores transformações que já observamos na nossa equipa.

No artigo de hoje vamos falar sobre:

  1. Qual o papel dos alimentos na tua vida
  2. Consequências de uma má nutrição
  3. Hábitos errados que te podem levar a comer pior…
  4. Como implementar mudanças

 

QUAL O PAPEL DA COMIDA NA TUA VIDA?

Uma das maiores confusões que existe atualmente em torno da comida é o “valor” que ela tem.

Devido a vários fatores biopsicossociais, a comida começou a ter uma carga emocional que é muito mais do que combustível.

No entanto isto é válido também quando estás mais restrito e a tentar perder peso, o combustível precisa estar lá! É essa base principal do teu corpo.

Com isto falamos claro de alimentos ricos nutricionalmente que te permitam consumir macronutientes necessários (proteína, hidratos e gorduras) assim como os micronutrientes (vitaminas e minerais). Podes descobrir mais sobre estes assuntos aqui.

CONSEQUÊNCIAS DE UMA MÁ NUTRIÇÃO

Vamos rapidamente elaborar quais as consequências de ter uma má nutrição:

  • Obesidade, o excesso de peso atinge já mais de metade dos Portugueses
  • Hipertensão arterial
    • Vários casos são resultado de maus hábitos alimentares e excesso de peso
  • Colesterol Elevado
    • Uma nutrição desequilibrada em nutrientes pode levar a um mau perfil lipídico, assim como a ausência de exercício físico (sedentarismo)

E como podes então saber quais os pequenos hábitos que te levam a fazer piores escolhas alimentares?

HÁBITOS ERRADOS QUE TE PODEM LEVAR A COMER PIOR?

1. ÉS O PRIMEIRO A TERMINAR AS REFEIÇÕES À MESA

Eu sou a pessoa com mais telhados de vidro… Esta sempre foi a grande luta. Sempre comi super super rápido, e o que levou sempre a que comesse demais!

O teu cérebro precisa cerca de 20 minutos para ter tempo de receber o sinal de saciedade para poderes terminar a tua refeição.

Se comeres rápido demais vais acabar por comer mais do que o que precisavas.

2. A MAIORIA DOS TEUS ALIMENTOS FORAM CRIADOS NUMA FÁBRICA

Se normalmente não compras nem confeccionas ingredientes frescos, pode significar que optas vezes demais pelo “cómodo” e desta forma podes ter alguns nutrientes em falta.

Além de comer algo mais nutritivo feito por ti, na maioria das vezes conseguem ser opções menos calóricas.

Podes ainda aproveitar para fazer desta tarefa algo divertido! Comprar um novo livro de receitas e explorar os teus dotes culinários.

Podes encontrar aqui o nosso Bundle de Livros de Receitas.

3. A MAIORIA DAS TUAS COMPRAS É FEITA NO CENTRO DO SUPERMERCADO

Se reparares na maioria dos supermercados os alimentos frescos e menos processados, costumam estar na periferia do supermercado! Achas que é coincidência?

Se passares pelos corredores carregadinhos de chocolates, bolachas, queijos e outras coisas super saborosas já se sabe que por magia aparecem no teu carrinho de compras…

Por isso se a maioria das tuas compras é feita no centro do supermercado (ou hipermercado que é mais aplicável no caso) tenta ir de forma mais consciente, e comprar maioritariamente alimentos frescos e minimamente processados.

4. COMES AS TUAS REFEIÇÕES/SNACKS DIRETO DA EMBALAGEM 

O TAMANHO IMPORTA?

Quem nunca ouviu esta expressão… E se importa! Principalmente quando falamos de porções alimentares, e quando falamos num país com as taxas de nutrição pobre e excesso de peso a disparar.

Se dás por ti a comer bolachas do pacote, gelado da embalagem, ou algo do género que traga múltiplas porções… Dou-te o conselho que salva uma dieta.

Compra o máximo de coisas que consigas em unidose, ou se comprares em doses maiores mal chegues a casa tenta deixar tudo dividido em porções individuais.

Deixo um TPC para ti desta meta-análise:

“O efeito de produtos em doses individuais pode ajudar no controlo de peso. Se os indivíduos reduzirem a sua exposição a porções maiores ou embalagens familiares, estima-se uma possível redução diária em média de pelo menos 144 a 228 kcal”.

Sabes o que são 228 kcal somente por trocar o formato das tuas porções?

Pode significar perder 10 quilos num ano 🙂

5. ÉS UTILIZADOR FREQUENTE DE TAKE AWAYS (OU UBER EATS!)

A não ser que convenças a ti, e a nós, que cada encomenda que fazes no Take Away é uma saladinha de verdes folhosos, sem croutons ou molho césar, com um peito de frango grelhadinho com vinagrete caseiro… Raramente são opções nutritivas e balanceadas em calorias.

Se preferes opções práticas podes:

  • Pré cozinhar algumas proteínas
  • Ter sempre vegetais cortados e lavados
  • Fruta
  • Ter alguns enlatados simples (atum, frango e leguminosas)
  • E ovos, nunca ficas mal com ovos

Muita das vezes são mais rápidos de consumir do que o senhor da caixa verde às costas a chegar a tua casa 😉

6. COMES QUASE SEMPRE A VER TV

A TV não te faz mal nenhum diretamente, mas quando estás distraído não comes conscientemente! Acabas por comer rápido demais, por não te aperceber dos sinais de saciedade e perdes o controlo…

Aproveita estes momentos de relaxamento em família onde conversam e comem de forma consciente e focada no momento.

7. A TUA DIETA É COMPOSTA SOMENTE POR UMA MÃO CHEIA DE ALIMENTOS

A tua dieta é só feita de peitos de frango e brócolos? Desculpa dizer-te mas também não concordamos que seja a melhor opção.

A falta de variedade, como por exemplo falta de frutas e vegetais de todas as cores, vai sempre levar a deficiência em algumas vitaminas e minerais. Por isso escolhe uma mão cheia de alimentos de cada grupo (proteínas, hidratos, gorduras e vegetais pouco densos em calorias) e dá cor ao teu dia.

8. COMES PARA COLMATAR ESTADOS EMOCIONAIS

A tão conhecida fome emocional, leva quase sempre a relações pouco saudáveis com a comida. O caso pode tomar piores proporções quando passa a acontecer inconscientemente, e casos mais difíceis de compulsão alimentar (podes ler mais aqui).

No fundo quando estás num estado de emoções mais negativas, o teu cérebro procura algum conforto, e após algumas tentativas começa a existir uma associação mental entre comida – > dias triste ou depressivos. Este momento de libertação de dopamina parece resolver tudo! Mas dura pouco e a “ressaca” pode custar caro, com os quilos a somar na balança…

Que atividades gostas de fazer no dia a dia que te deixam mais feliz? Faz uma lista e sempre que momentos destes surjam escolhe uma destas atividades, em vez de escolher o prato de comida.

9. COMES 2 OU MENOS REFEIÇÕES POR DIA

Eu sei, assim como já falamos no passado, que é possível teres uma dieta e resultados incríveis a comer 1-2 refeições por dia! A base de uma dieta que permite perder peso é comer menos calorias do que gastas. Por isso se é possível? Sim! Se nos parece balanceado e equilibrado para a maioria? Hum…

A não ser que estejas super confortável com poucas refeições, tentar consumir entre 3-5 refeições por dia equilibradas e distribuídas ao longo do teu dia parece ser uma opção mais sustentável a longo prazo.

10. CONSOMES MAIS CALORIAS, DO QUE AS QUE GASTAS

Matemática do primeiro ciclo.

CALORIAS QUE CONSOMES – CALORIAS QUE GASTAS = BALANÇO CALÓRICO (ESTADO)

Por isso, se consomes mais do que gastas, o balanço é positivo! E o que faz o teu corpo quando lhe sobra energia dessas calorias? Guarda-as bem guardadinhas no teu mealheiro.

11. TENS O HÁBITO DE COMER SEM NINGUÉM POR PERTO…

Uma das características principais das pessoas que desenvolvem uma Compulsão Alimentar, é faze-lo em segredo. Longe de qualquer olhar, ou julgamento, aproveitam para comer sozinhos até não aguentar mais.

Por isso se tens tendência a esconder comida ou comer às escondidas das pessoas que estão mais próximas de ti, presta atenção e deteta este padrão de forma a que deixe de ser recorrente.

IMPLEMENTANDO MUDANÇAS

Basicamente resume-se a uma frase:

Come para viver, não vivas para comer!

Tudo na vida é uma questão de escolhas e tens tudo nas tuas mãos. Após ler estes 11 pontos analisa quais achas que te acontecem, e tenta delinear um plano para o “derrubar” um a um, como se fossem uma linha de peças de dominó.

Alguns passos simples:

  1. Tenta estar mais consciente quando comes e aprende melhor quando estás realmente saciado
  2. Pede ajuda, procura familiares, amigos, um grupo ou uma Equipa
  3. Aprende mais sobre nutrição e dedica-te a confecionar a maioria das tuas refeições
  4. Encontra um grupo de amigos que sejam super saudáveis, para que te sintas dentro de uma comunidade que te compreende, como o nosso grupo 😀
  5. Faz uma lista de todas as mudanças que queres fazer após este artigo e tenta uma por semana

Mantém o foco e consistência, e assim sem que te apercebas os resultados aparecem, com pequenos passos mas com grandes progressos.

CONCLUSÃO

Se aprecias um bom prato, mas queres viver de forma mais feliz, tenta entender primeiro de tudo como estás atualmente.

Um dos trabalhos que temos feito nos Desafios Gratuitos de 14 dias que vamos lançando aos nossos seguidores, é a consciencialização. Trabalhar para perceber onde estás, e para onde vais.

Se já sabes onde estás (ponto A), e sabes onde gostavas de chegar (ponto B) mas precisas de um GPS fit que te ajude a lá chegar mais depressa descobre sobre o nosso programa Body Transformation Coaching e fala com um dos nossos Coaches.

Coach João,

Descomplica

 

De que forma o café pode ajudar os meus treinos?

De que forma o café pode ajudar os meus treinos?

Domingo é Dia Internacional do Café, por isso já encomendaste mais umas cápsulas de expresso ou um grão especial moído! No entanto é melhor leres este artigo e perceber se deves celebrar o dia ou deixar que te passe ao lado, se queres ver resultados nos treinos 😉

INTRODUÇÃO

Quero começar por dizer que tanto eu, como o Coach João somos fãs de café. Mas mesmo assim irei tentar responder da forma mais imparcial possível, apesar que a minha filosofia é que “café é vida” 😀

Cafeína e café são o mesmo?

Num artigo anterior (https://www.teamsiknutrition.com/2018/04/17/a-importancia-da-suplementacao-no-treino/) falei sobre os suplementos que consideramos eficazes e a cafeína é um deles. Mas será toda a cafeína igual?

A grande maioria dos estudos utiliza Cafeína Anidra, que é cafeína em pó altamente concentrada e não propriamente o café que estamos habituados a beber. A nível de estudos vemos que o café está relativamente subexplorado como ergogénico pré-treino(1), mas temos evidência a demonstrar que se o café tiver as mesmas concentrações que a cafeína anidra, os resultados na performance são semelhante na resistência aeróbia (2), força e velocidade (3)(4).

 

ALL THE COFFEE?

Pessoalmente gostava que fosse quanto mais melhor 🙂 Mas a dose ideal de cafeína parece estar entre as 3-6mg/kg de peso corporal antes dos treinos. Para ter um exemplo prático uma pessoa com 60 quilos precisaria de 180-360 mg de cafeína pré treino.

A cafeína do café depende de vários factores como o tipo de grão, modo de preparação e tamanho do copo. Na prática acaba por ser complicado precisar quanta cafeína estamos a ingerir ao certo num café. No entanto deixo-te abaixo as quantidades aproximadas nos diferentes cafés:

  • Café americano (1 chávena – 240 ml): 60-120 mg
  • Café instantâneo (1 chávena – 240 ml): 70 mg
  • Descafeinado (1 chávena – 240 ml): 1-5 mg
  • Espresso (1 chávena – 60 ml): 45-100 mg

 

Em média 2-3 copos vão equivaler a 200mg, que equivale a 3mg/kg se tiveres 60 quilos.

 

TIMMING – A ALTURA IMPORTA 😉

Se vais utilizar o café como ergogénico 60 minutos antes do treino é o mais indicado, visto que é o timming mais utilizado nos estudos.

Mas justifica-se o uso da cafeína ou café?

A cafeína tem benefícios na resistência muscular, força, potência anaeróbia e capacidade aeróbia (endurance).

Ao analisarmos a evidência a magnitude dos resultados, na generalidade, é superior nos exercícios aeróbios (ex: corrida) comparativamente aos anaeróbios (ex: treino de força) (1).

 

CONCLUSÕES

A cafeína não vai ser aquele feijão mágico que te vai tornar super-forte para bateres recordes pessoais todos os dias no ginásio.

No entanto, pode aumentar ligeiramente a força, atrasar a fadiga e melhorar a endurance.

Nunca te esqueças que nenhum suplemento, compensa uma má nutrição, descanso ou treino.

Por isso se gostas continua a beber o teu café antes do treino e #descomplica 😀

Feliz dia do Café!

Coach Mário

 

BIBLIOGRAFIA

  1. https://bjsm.bmj.com/content/early/2019/03/29/bjsports-2018-100278
  2. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0059561
  3. https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/17461391.2015.1085097
  4. https://insights.ovid.com/crossref?an=00124278-201610000-00027

 

Açúcar – É um vício? Como te podes livrar dele?

Açúcar – É um vício? Como te podes livrar dele?

INTRODUÇÃO

Esta é uma das perguntas mais frequentes, para dizer a verdade muitas vezes nem é uma questão, é mesmo uma afirmação:

                               “Tenho um problema com o açúcar e não consigo passar um dia sem um doce”

Já disseste esta frase?

No entanto a ciência não suporta este tipo de afirmação… A maioria das pessoas pensa que tem uma dependência do açúcar muito maior do que a realidade.

Sabes quanto açúcar consumimos em média?

Por ano na Europa, por pessoa estima-se uma média anual de 36,9 quilos de açúcar, ou seja:

  • mais ou menos 100g de açúcar por dia
  • representa cerca de 20% da ingestão calórica média de um adulto.

Em que ⅕ deste valor por dia vem dos 2-3 cafés que bebes por dia…

Se cortasses somente o açúcar do café estarias a cortar em ⅓ o teu consumo de açúcar.

Deixarias de ser viciado?

Então vem connosco nesta análise da evidência e experiência a trabalhar com pessoas e elimina de vez o vício! (ou a ideia dele 😉 )

 

VÍCIO OU HÁBITO?

Se já ouviste expressões comuns que passam a ideia do açúcar ser viciante tem cuidado…

Existe uma muito conhecida como o “sugar rush” que é a euforia que sentes, mais até nas crianças, depois de comer algo açucarado (tal como acontece com a cocaína).

Mas será mesmo um vício? Agora faço eu uma questão…

Andas com pacotes de açúcar contigo de um lado para o outro para quando “bate a vontade”?

Se a resposta for não, o mais certo é não ser um vício…

A verdade é que é fácil confundir um hábito com um vício.

O vício é algo que te sentes compelido a fazer e se não o fizeres tens sintomas de abstinência severos (a vulgar ressaca).

Os hábitos por outro lado são reações e respostas que aprendeste a realizar automaticamente sem pensar, ou decidir.

Os hábitos são “capas” que a tua personalidade veste. E porquê?

Porque te assentam na perfeição.

Já reparaste como o vício por coisas doces surge mais frequentemente quando tens fome, sono ou mais stress?

Já pensaste que pode nem ser pelo açúcar em si, mas pela sensação de bem estar/conforto que sentes após comer algo doce?

Tens um factor de stress e como resposta, o teu hábito, é comer algo que te sabe bem para te sentires melhor.

A verdade é que nem precisa de ser açúcar, mas qualquer alimento com muito sabor!

A maioria dos alimentos mais saborosos têm uma mistura de sal, açúcar e gorduras (e não só açúcar).

Se tentares comer açúcar às colheres do pacote vais perceber que não te sabe assim tão bem…

Ainda achas que o problema é o açúcar?

 

A INDUSTRIA DOS CRAVINGS

Os desejos ou “cravings” são bem diferentes de uma dependência. O que os diferencia é sua intensidade, frequência e duração (3).

Os desejos/cravings têm uma duração curta e podem reduzir ou desaparecer mesmo não comendo, no entanto os cravings com drogas mantêm-se e não reduzem de intensidade com a abstinência e até podem piorar.

Não é o açúcar que te vicia… apetece-te comer doces porque te sabe bem.

O açúcar torna a comida mais saborosa e isso encoraja-te a comer mais, é uma questão de palatabilidade!

Alimentos com alta palatabilidade induzem prazer e recompensa, que se sobrepõem aos teus sinais internos de apetite e saciedade.

Os alimentos mais saborosos são altamente apetecíveis e fáceis de comeres demais, mas não significa que o açúcar é viciante apesar da sensação de prazer-recompensa ser semelhante a comportamentos de dependência (4).

Assim que comes uma dessas comidas altamente saborosas o teu cérebro rapidamente associa a sensação de recompensa que recebe após a consumir.

Por exemplo quando te cheira às batatas fritas do Mc Donalds ou vês um anúncio delas na TV, ou mesmo quando entras num dos restaurantes da cadeia tens uma tendência a sentir um enorme craving para as consumir. Todo o cenário em que vives, está feito para estimular a tua vontade de comer..

Tens nas tuas mãos o poder de reverter, pelo menos, a tua situação.

 

A CIÊNCIA, OS RATOS E A FÚRIA DO AÇÚCAR 

Há sempre alguém que menciona estudos em que o açúcar era tão viciante como a cocaína (1)(2), no entanto há três pontos importantes:

  1. Temos que começar por apontar o óbvio, são estudos realizados em ratos. (se é um rato que está a ler desculpa, este artigo não é para ti)
  2. Estes estudos demonstram que há um aumento dos níveis de dopamina no cérebro semelhantes ao consumo de cocaína com a recompensa proveniente de comida.
  3. Por último, as condições do estudo em que existe uma restrição intermitente ao açúcar são propícias a que haja padrões de comportamento semelhantes à dependência (3).

A verdade é que se o açúcar fosse realmente viciante iríamos ter tendência a consumir concentrações cada vez mais elevadas, no entanto a partir de um certo ponto se um alimento for demasiado doce ficarás enjoado e não vais ter sequer vontade de terminar.

Se o açúcar fosse realmente viciante isto não aconteceria e o normal seria aumentar a “dose” para continuar a “bater” 😀

No entanto não podemos deixar de considerar a parte fisiológica do teu cérebro a nível de sistemas e do centro de recompensa.

O teu cérebro é resultado de um processo evolutivo de cerca de meio milhão de anos…

E que não mudou radicalmente ao longo deste processo. Para os teus antepassados, a sensação de algo “doce” era imediatamente associado a fruta e/ou mel, que eram fontes altamente ricas e nutritivas de fácil consumo (e as únicas dessa data lol).

No entanto, ao longo dos anos, com toda a revolução industrial foi possível criar açúcar puro a preços altamente reduzidos.

Então passámos de uma era onde somente existiam duas fontes “doces” para ter acesso a açúcar que pode ser adicionado praticamente a TUDO o que comemos…

Este “super estímulo” causa uma resposta totalmente exagerada por parte do cérebro, e podes agradecer à indústria alimentar que criou um fenómeno que causa quase um curto circuito no teu cérebro. Imagina o cérebro a ter um clímax de palatabilidade…

É mais ou menos isso.

A indústria assim o tem gerido e não o fizeram de propósito, mas podemos dizer que és somente um “efeito colateral” da indústria que faz milhares de milhões, em dinheiro todos os anos.

 

A VORACIDADE OPORTUNÍSTICA (olhos que vêem, barriga que sente)

A equipa do Ravussin levou a cabo um estudo (9) bastante interessante a nível de selecção de alimentos e ingestão de calorias.

A solução num dos seus estudos foi instalar uma máquina de venda de alimentos composta maioritariamente por snacks e bebidas (todas elas altamente tentadoras e delicious!).

Dentro da máquina podias encontrar panquecas com syrup, salsichas, pudins de chocolate, cheesecake, nachos com queijo, M&Ms, Coca cola e algumas maçãs.

Os candidatos foram depois fechados na sala onde estava instalada a máquina durante 7 dias e tinham uma ordem:

podem comer o que quiserem das máquinas, quando quiserem, no entanto para poderem ser controlados têm um código, para que possa ser calculado quantas calorias ingeriram (porque colocavam o seu código para tirar o alimento).

Além da parte interessante de ser possível controlar a ingestão calórica de cada um, a parte mais curiosa foi que estavam todos a comer como loucos!

A maioria estava a consumir o dobro das calorias que precisava.

Para ser claro a maioria ganhou uma média de 2kg, em 7 dias só porque podiam comer o que queriam. Foi daqui que surgiu esta expressão: voracidade oportunística.

Daí repetir tantas vezes a frase do James Clear:

“O teu ambiente envolvente, é a mão invisível que controla os teus hábitos.”

Então nesta altura já sabes que a comida tem um poder gigante sobre os teus comportamentos. E que nem todas têm o mesmo impacto.

O que te chama mais a atenção para comer? Um brócolo ou um geladinho? Hum? 😀

O que a ciência nos diz então é que quanto mais densa em calorias for a refeição/alimento que estás a consumir mais poder de libertar dopamina (e prazer) tem! (por isso não culpes os açúcares sozinhos…)

Não podes esquecer que o cérebro é a evolução de milhares de anos, preparado para viver livremente, onde mais calorias significavam mais potencial para viver mais tempo.

Já falámos que não podes comparar o açúcar a uma droga… Mas os estudos relacionados à cura de dependência ajudam-nos a elaborar algumas conclusões e soluções sobre a questão desta mesma Voracidade.

Num tratamento de recuperação da dependência de droga, o grande foco é evitar todos os gatilhos que levam a pessoa em recuperação a ter desejo de consumir.

Se um drogado passar no bairro onde compra a droga, passar na discoteca onde se droga, estiver com pessoas que se drogam… Existe um grande gatilho e motivação para consumir.

Imagina isto:

passas por uma padaria e vês pão acabado de sair, ainda morno a fumegar, e sentes o cheiro a sair pela porta… Que vontade te dá?

Agora imagina que não passavas pela padaria, e não sentias nada disto. Tinhas a mesma vontade de os comer? Os olhos que não vêem, barriga que não sente.

Assim nem sequer precisas de força de vontade, se não te colocares à prova.

 

CONCLUSÃO E RESUMO

Já dissemos várias vezes ao longo do artigo que açúcar não vicia, mas não há nada como citar a conclusão deste estudo (5):

“Não há apoio da literatura em humanos para a hipótese que a sacarose possa ser fisicamente viciante ou que a dependência do açúcar desempenhe um papel nos transtornos alimentares”

Não existe um vício em comida, mas sim um vício em comer que é totalmente diferente (6).

O problema é maioritariamente comportamental e não fisiológico. Por essa razão uma abordagem com base na terapia comportamental será uma solução superior a qualquer Detox da moda ou corte radical dos açúcares, que para além de não fazerem qualquer sentido, podem piorar a situação.

Na prática o que podes fazer?

1- Identificar o momentos em que tens mais desejos e as razões por trás disso;

2- Reconhecer locais, ou sensações que criam estes desejos;

3- Não comeres assim que sentes esses desejos e aguardar um pouco;

4- Evitar teres fome e garantir que estás saciado ao longo do dia;

5- Reduzir um pouco a palatabilidade da tua alimentação, nem 8 ou 80, moderação é a chave;

6- Este último ponto é dos mais difíceis e é necessário um grande conhecimento pessoal. Não cortares por completo algum alimento, porque achas que ele é “mau” ou “pouco saudável”. Se eu te dizer que nunca mais podes comer chocolate na vida, o que é que te vai apetecer comer? Exato… Chocolate.

Não esqueças que o fruto proibido é sempre o mais apetecido e ao restringir na totalidade estás a magnificar a sua importância!

Não nos interpretes mal, não estou a dizer que deves comer à vontadinha também!

Principalmente se for um “gatilho” para destruíres uma tablete inteira. Deves comer com moderação, garantido que não vais comer demais.

Comer porque realmente te apetece, não por estares a compensar outras áreas da tua vida (problemas no trabalho ou relações pessoais) procurando conforto na comida.

O açúcar não é o demónio e o culpado por tudo o que é mau, mas comer mais nada sem ser açúcar também não é uma boa ideia.

Ambas as visões são extremismos e o equilíbrio está no meio termo.

Comer um alimento com açúcar (5-10% do total calórico, de acordo com a Organização Mundial de Saúde)(7) numa dieta caloricamente ajustada e equilibrada, é perfeitamente saudável.

Não precisas de comer açúcar para ser saudável, mas também não o és somente por não comer açúcar. Para seres saudável a tua alimentação deve ser variada, tanto em termos de alimentos como de macronutrientes/micronutrientes, praticar exercício e dormir o suficiente.

Tenta lembrar-te que é a mistura comportamental com alimentos altamente palatáveis (que normalmente são um misto de açúcar, gordura e sal) que levam a uma resposta exagerada e “viciante” por parte do teu cérebro.

Agora não precisas de ter medo de ficar viciado no açúcar, aproveita com moderação e #descomplica 😉

Coach Mário e João (escrito a 4 mãos ahahah)

Nota final: Se és uma daquelas pessoas que tem imensa dificuldade em controlar a inclusão de pequenas porções de alimentos mais saborosos, tenta consumir alimentos o mais simples possível dentro daquela que é a tua dieta. Sei que não é um conselho muito motivador pedir que consumas menos processados, e que consumas mais comida de verdade, rica em nutrientes, mas é o que faz falta.

Apesar de defendermos que podes ter uma abordagem inclusiva e comer um chocolatinho todos os dias e perder peso (assim como fazem tantos dos nossos Sikianos), sabemos que cada abordagem deve ser individualizada, e que poderás precisar de passar por um processo de alimentos mais simples antes de reintroduzir os que mais gostas gradualmente. Se precisas de ajuda para isso clica no link abaixo que entraremos em contato para te ajudar:

Body Transformation Coaching

BIBLIOGRAFIA

  1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3362036
  2. http://www.foodaddictionsummit.org/docs/Hoebel-sugaraddiction.pdf
  3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5174153/
  4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27087806
  5. https://www.clinicalnutritionjournal.com/article/S0261-5614%2809%2900239-8/abstract
  6. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0149763414002140
  7. https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/149782/9789241549028_eng.pdf;jsessionid=964FA33FC00CDC01903D600E70BD9412?sequence=1
  8. https://weightology.net/no-youre-not-addicted-to-sugar/
  9. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1734670

 

Como ler rotulos e perceber o que dizem? (parte 3)

Como ler rotulos e perceber o que dizem? (parte 3)

E chegamos… Ao fim!

Nesta série de 3 artigos analisámos á lupa tudo o que diz respeito a rótulos:

E depois de perceber o que nos dizem, e quais os “especiais” que existem, vamos passar a uma aplicação prática?

 

APLICAÇÃO PRÁTICA

Primeiro de tudo para colocar em prática, vou testar-te a ver se percebeste bem os conceitos introduzidos nos dois últimos artigos.

Exemplo 1 – Iogurte Natural Magro Continente

Exemplo 2 – Iogurte Natural Skyr Continente

Que diferenças detetas nestes dois?

Produto Calorias Proteínas Hidratos Gorduras
Iogurte Natural Magro (100g) 34 kcal 4,0 4,3g 0,1g
Iogurte Natural Skyr (100g) 55 kcal 9,0 4,0g 0,3g

 

Olhando somente para as Calorias o Iogurte Natural parece uma melhor opção com somente 34kcal. No entanto não podemos analisar somente por aqui… A nível de conteúdo proteico o iogurte skyr tem mais do dobro da proteína! E este é o poder que podes ter, ao analisar dois rótulos, lado a lado.

Se queres descobrir mais porque me foquei na importância da proteína podes ler aqui:

SABE TUDO SOBRE PROTEÍNAS AQUI

Se queres ter uma tabela de bolso para te ajudar na análise dos restantes dados dos rótulos:

Açucares Gorduras Gord. Saturadas Sal
Alto (por 100g) > 15g > 20g > 5g > 1,5g
Médio (por 100g) 5-15g 3-20g 1,5-5g 0,3-1,5g
Baixo (por 100g) < 5g < 3g < 1,5g < 0,3g

 

No entanto como referi acima, usar só os açucares, gorduras ou sal é insuficiente! Lembra-te sempre de ler também os hidratos totais, e as calorias do alimento em questão. (falei bastante disto na parte 2)

 

RESUMO

Em jeito de resumo:

  • os rótulos são excelentes e permitem te a ti, como consumidor, tomar decisões informadas;
  • apesar de importantes os rótulos têm margem de erro grandes e nem sempre são o que “prometem”, por isso cuidado com as promessas
  • são compostos por 4 elementos chave par ate ajuda, as calorias, proteínas, hidratos e gorduras
  • são legislados e bem regulamentados, no entanto não te deixes enganar pelas promessas colocadas nos rótulos (porque ser baixo em açúcar não significa ser baixo em calorias).
  • pode parecer confuso, mas foi entender os rótulos que me ajudou a perder 50 kg numa jornada complicada, mas vitoriosa.

O teu caminho pode sempre ser facilitado se levares uma lista de compras contigo para que não tenhas de ver TODOS os rótulos.

Se além dos rótulos gostavas de conhecer mais sobre nutrição, e como calcular calorias e macronutrientes para teres a tua própria dieta podes fazer o download aqui:

COMO CALCULAR O QUE PRECISO NA MINHA DIETA?

 

Não te esqueças,

#descomplica

Coach João

 

BIBLIOGRAFIA COMPLETA

https://www.codimarc.pt/blog/rotulos-para-vinho-ainda-sem-informacao-nutricional-infografico

http://www.efsa.europa.eu/

https://i2.wp.com/www.terraruiva.pt/wp-content/uploads/2017/10/rotulo-alimentar.png?fit=685%2C408

https://www.madebychoices.pt/wp-content/uploads/2015/09/analise-da-tabela-nutricional.jpg

https://diariodeumadietista.com/publicidade-rotulagem/

http://www.apn.org.pt/documentos/guias/Guiadebolso.pdf

http://imgs.sapo.pt/kitdomar/content/files/ebook_rotulagem.pdf

http://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/Ebook_Rotulagem.pdf

 

 

 

 

O que engorda mais, gordura ou hidratos?

O que engorda mais, gordura ou hidratos?

INTRODUÇÃO

Já te deparaste com esta dúvida? Se será que a melhor opção é fugir aos hidratos, ou fugir às gorduras?

Então vamos responder com base em alguns estudos sobre cada macronutriente, e vamos ainda mais à frente analisar o GRANDE estudo DIETFITS que avaliou uma amostragem enorme de pessoas.

 

ESTUDO DIETFITS

Este estudo, o DIETFITS, avaliou o impacto das escolhas nutricionais das pessoas envolvidas, separando pessoas com dietas pobres em hidratos e dietas pobres em gorduras.

Este estudo foi levado a cabo por  Christopher D. Gardner, John F. Trepanowski, e Liana C. Del Gobbo.

Foram incluídas 609 pessoas divididas nos 2 grupos:

  • Dietas baixas em hidratos de carbono
  • Dietas baixas em gorduras

As diretrizes nutricionais apontavam principalmente para as escolhas alimentares pouco processadas, em alimentos nutricionalmente ricos:

… focus on whole, real foods that were mostly prepared at home when possible, and specifically included as many vegetables as possible, every day … choose lean grass-fed and pasture-raised animal foods as well as sustainable fish … eliminate, as much as possible, processed food products, including those with added sugars, refined white flour products, or trans-fats … prepare as much of their own food as possible. …

O foco passava mais pela qualidade das escolhas do que controlo calórico diário. Este estudo teve a duração de 12 meses, sobre o qual serão apresentados os dados.

Então resumindo rapidamente:

  • As pessoas que seguiram uma dieta baixa em hidratos de carbono perderam em média 6 quilos
  • As pessoas que seguiram uma dieta baixa em gorduras perderam em média 5,3 quilos

Sendo estes os resultados médios, de cada um dos grupos, será interessante ver não só a média mas também os polos/extremos de alguns casos individuais bastante peculiares.

Isto porque como se vê nos gráficos existiram muitas respostas diferentes à mesma abordagem dentro de cada grupo. Temos pessoas que perderam até 27 quilos ao longo do estudo, e pessoas que ganharam até 9 quilos.

Porque olhando só para as médias a conclusão seria que ambas as abordagens têm o mesmo potencial de resultados (ou uma ligeira vantagem numa abordagem baixa em hidratos).

 

Nesta análise feita da VOX pela Julia Belluz foi possível falar com estes 4 casos dos extremos de cada abordagem:

  • Dietas baixas em hidratos de carbono
    • Onde está inserido o Todd que perdeu imenso peso
    • Onde está inserida a Elizabeth que ganhou peso
  • Dietas baixas em gorduras
    • Onde está inserida a Dawn que perdeu imenso peso
    • Onde está inserido o Denis que manteve mais ou menos o peso

 

E quais os comportamentos destas 4 pessoas?

O Todd e o Denis serão os primeiros a ser analisados.

O Todd seguiu uma dieta baixa em hidratos e perdeu cerca de 25 quilos.

Interessante, que quando começou o estudo ao mesmo tempo o Todd trocou de trabalho, para um trabalho muito mais calmo no qual tinha muito mais tempo para organizar e preparar as suas refeições e cumprir com as diretrizes dadas. Com isto, acabou por parar inclusive de consumir álcool que era algo comum para o Todd antes do DIETFITS.

Já o Denis, com uma dieta baixa em gorduras, perdeu somente cerca de 1kg ao longo dos 12 meses. O que contou a Jornalista foi que nunca planeava a sua semana, nunca preparava refeições com antecedência… Comia “on the go”, sempre a despachar. E apesar de tentar seguir as diretrizes, não teve sucesso ao longo desta tentativa de perda de peso.

Qual a grande diferença? ORGANIZAÇÂO.

Vamos agora analisar a Dawn e a Elizabeth.

A Elisabeth seguiu uma dieta baixa em hidratos de carbono e ao longo destes meses ganhou 3 quilos! Incrível que apesar de tudo ainda ganhou peso…

A Elisabeth antes de começar o estudo vinha de viver na Alemanha onde andava muito a pé e fazia em média 10000 passos por dia, coisa que desabafou ser-lhe impossível agora nos Estados Unidos.

Além disso na Alemanha comia em casa na maioria das vezes, mas desde que se mudou começou a comer muito mais vezes fora. E como ela própria o disse, ela como não tinha nenhuma diretriz  para controlo de calorias, evitava tudo o que tivesse hidratos fazendo substituições com mais gordura, mais palatabilidade e mais calorias.

A Dawn seguiu uma dieta baixa em gorduras, conseguiu perder 20 quilos ao fim dos 12 meses. E o que a levou a conseguir este feito? A motivação.

Se não lês os emails que envio (quase) diariamente, talvez seja novidade para ti esta parte comportamental. Mas o ser humano é fortemente motivado por dois fatores:

  • Fugir da dor (medo)
  • Busca do prazer (desejo)

No caso da Dawn o que a motivou, foi o medo! A irmã foi diagnosticada com cancro relacionado com uma má alimentação, maus hábitos e estilo de vida. Em paralelo também a sua filha foi diagnosticada com distúrbios alimentares, e apercebeu-se que estava a ser uma má influencia para a filha.

Não só perdeu 20 quilos, como envolveu a sua filha nesse processo.

Qual a grande diferença? COMPROMETIMENTO COM O PROCESSO.

Então que padrão podemos detetar, se dois dos melhores casos deste estudo seguiram dietas completamente diferentes?

O AMBIENTE ENVOLVENTE É A MÃO INVISIVEL QUE CONTROLA OS TEUS RESULTADOS.

Mais importante que a escolha duma abordagem baixa em hidratos ou baixa em gordura, é ter um plano e um ambiente que permita ser consistente com o processo.

Mas ainda assim como prometido as calorias não são absorvidas da mesma forma e deixo-te um resumo de como são absorvidas.

 

COMO SÃO ABSORVIDAS AS CALORIAS

O gasto térmico dos alimentos é diferente de macro para macronutriente. Vamos analisar cada um deles:

  1. Gordura
  • O custo energético para acumulação de gordura alimentar, sob a forma de gordura corporal, é mínimo (0-3% dependendo do individuo e condição corporal). Ou seja existe muito pouco efeito térmico na digestão deste macronutriente.
  1. Hidratos
  • A conversão de Hidratos de carbono para gordura corporal é chamada de Lipogénese (DNL). Esta acumulação acontece, apenas, após as reservas de glicogénio totalmente saturadas (normalmente com excedente calórico)
  • Considerando o efeito térmico dos alimentos (TEF), os hidratos têm um TEF de 5-10%.
  1. Proteína e álcool
  • Não existem muitos estudos sobre a eficácia para estes dois macronutrientes. Podemos concluir que a percentagem de acumulação dos mesmos, sob a forma de gordura, é muito mais baixa do que os restantes macros.
  • Considerando também o efeito térmico dos alimentos (TEF), a proteína é o alimento com maior efeito, de cerca de 20-30% gasto na digestão, comparado com 5-10% dos hidratos e 0-3% da gordura alimentar.
  • Para o álcool existem poucos estudos e esse valor de TEF pode variar, mas podemos considerar cerca de 20%, tendo por base os estudos existentes.

 

EFEITO DA SACIEDADE DOS MACRONUTRIENTES

Existe o primeiro fator, uma refeição super saborosa vai ser sempre mais tentadora a não sentir saciedade, do que uma refeição mais “básica”.

No entanto, se olharmos para o que diz a ciência:

  1. Proteína. A proteína é superior no que toca à saciedade, comparativamente aos hidratos e à gordura, seja nos efeitos a curto prazo, como a longo prazo. Para além disso, tem também um TEF maior.
  2. Hidratos e gordura. Estudos mais recentes mostram que os hidratos têm uma maior sensação de saciedade a curto prazo. No entanto, acabam por ser as gorduras alimentares a vencer, no que diz respeito à saciedade a longo prazo.
  3. Álcool. Este macronutriente não traz nenhum benefício no que respeita à saciedade, pelo contrário, o estado alcoólico, por si só, pode encorajar a comer mais e pior, devido à perda de autocontrolo.

 

CONCLUSÃO

Como viste hoje, nem sempre é a escolha dos hidratos ou gorduras que permitem ter mais resultados.

Claro que saber que os hidratos têm um maior efeito térmico durante a digestão do que as gorduras, ou que são possivelmente mais saciantes, pode parecer que os hidratos serão logo uma melhor opção.

Mas na maioria das vezes é a adesão e consistência que vão permitir mudar hábitos, que te permitem ter uma maior resiliência, e consequentemente melhores resultados.  Podes assim optar pelas tuas preferências a nível de mais hidratos, ou mais gorduras!

E isto explica porque é que temos uma gigante taxa de sucesso com as pessoas com quem trabalhamos! Eles abrem-nos a porta, e deixam-nos ajudar a mudar não só os hábitos mas os seus comportamentos para mudanças permanentes.

Toda a energia que precisas para o conseguir, e se queres ajuda? Envia-nos um email, estamos já aqui.

CLICA E PREENCHE O FORMULÁRIO

Se preferires em vídeo:

#descomplica

Coach João

 

BILBIOGRAFIA

Estudo original DIETFITS:

https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2673150

Análise ao estudo e entrevista da Jornalista:

https://www.vox.com/science-and-health/2018/3/13/17054146/diet-isnt-working-why

Mais estudos:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3165600

http://ajcn.nutrition.org/content/62/1/19.long

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8184963

 

 

Como ler rótulos e perceber o que dizem? (Parte 2)

Como ler rótulos e perceber o que dizem? (Parte 2)

Esta série constará de 3 artigos, partido em 3 partes:

Agora que já tratas os rótulos por tu, após ler a Parte 1 desta série de artigos, como identificar um produto light? Ou um produto zero?

Como ler rótulos e perceber o que dizem? (Parte 1)

 

Introdução

No artigo de hoje (Parte 2) vamos focar-nos nos Produtos com Rótulos Especiais e respetiva legislação.

A ideia será perceber qual a legalidade associada a algumas das ideias vendidas nos produtos e uma especial atenção a produtos, sem rótulo.

Produtos com Rótulos Especiais e Legislação

Antes de mais o que considera a legislação:

  • Alegação de saúde: qualquer alegação que declare ou sugira a existência de uma relação entre o alimento e a saúde. Necessitam de estudos que comprovem a alegação e da aprovação pela Comissão Europeia.
  • Alegação de redução de um risco de doença: qualquer alegação de saúde que declare ou sugira que o consumo de um alimento reduz significativamente um fator de risco de aparecimento de uma doença humana.
  • Alegação nutricional: Qualquer alegação que declare ou sugira que um alimento possui propriedades nutricionais benéficas particulares devido à sua energia (valor calórico) e/ou aos seus nutrientes ou outras substâncias. As alegações nutricionais que estão permitidas por lei e têm critérios específicos para tal, referem-se a: Valor Energético; Gordura; Gordura Saturada; Açúcar; Sódio/sal; Fibra; Proteína; Vitaminas e Minerais; Light; Ómega-3.

Toda este capítulo usou os dados fornecidos pelo de Reg. 1924/2006 de 10 de Dezembro, Decreto-Lei nº 54/2010 de 28 de Maio e D.L. nº 167/2004 de 7 de Julho).

Vamos analisar caso a caso para saberes as diferentes categorias.

Produtos com alusão ao conteúdo energético:

  • Baixos em calorias
    • só pode feita quando a quantidade de calorias representar:
    • < 40kcal por 100g para sólidos
    • < 20kcal por 100ml para líquidos
    • < 4kcal por porção para adoçante
  • Light/Magro:
    • só pode ser feita quando a redução do teor do nutriente for, no mínimo, de 30% em relação a um produto semelhante (versão normal), sendo que deve ser indicada qual a característica que torna o produto light.
    • É normalmente utilizada para a redução de gordura, mas pode ser utilizada para a redução de outros nutrientes.
  • Sem Calorias
    • só pode ser feita quando o produto contem < 4kcal por 100ml (exemplos: Coca Cola zero, refrigerantes zero, Syrups Zero, etc.…)
    • Adoçantes que representes < 0,4kcal por porção

Produtos com alusão ao conteúdo de gordura:

  • Baixos em gorduras
    • só pode feita quando a quantidade de gorduras representar:
      • < 3g de gordura por 100g para sólidos
      • < 1,5g de gordura por 100ml para líquidos
  • Baixos em Gordura Saturada:
    • só pode feita quando a quantidade de gorduras saturadas representar:
      • < 1,5g de gordura saturada por 100g para sólidos
      • < 0,75g de gordura saturada por 100ml para líquidos
      • < 10% do conteúdo energético total do produto
  • Sem Gordura
    • só pode ser feita quando o produto contem < 0,5g de gordura por 100g ou 100ml

Produtos com alusão ao conteúdo de açúcar:

  • Baixos em açúcar:
    • só pode feita quando a quantidade de açúcar representar:
      • < 5g de açúcar por 100g para sólidos
      • < 2,5g de açúcar por 100ml para líquidos
  • Sem açúcares adicionados:
    • só pode feita quando não forem adicionados nenhum mono ou dissacarídeo
  • Sem açúcar:
    • só pode ser feita quando o produto não contiver mais do que 5g de açúcares por 100g para os sólidos ou 2,5g de açúcares por 100ml para os líquidos

Produtos com alusão ao conteúdo de Fibra:

  • Fonte de Fibra:
    • só pode feita quando o produto contiver no mínimo 3g de fibra por 100g ou pelo menos 1,5g de fibra por 100kcal
  • Alto Teor em Fibra:
    • só pode feita quando o produto contiver no mínimo 6g de fibra por 100g ou pelo menos 3g de fibra por 100kcal

Produtos com alusão ao conteúdo de vitaminas e minerais (baseado na DDR):

  • Fonte de [Nome da vitamina ou do mineral]:
    • só pode ser feita quando o produto contiver, pelo menos, 15% da DDR por 100g ou 100ml
  • Alto teor em [Nome da vitamina ou do mineral]:
    • só pode ser feita quando o produto contiver, pelo menos, 30% da DDR por 100g ou 100ml

A legalidade está agora simples e resumida para todos os produtos comuns no supermercado. E agora o que podes fazer com esta informação?

Leitura das supostas alegações dos rótulos

Segundo as proibições da legislação sobre as alegações não podem:

  • ser falsas, ambíguas ou enganosas (por exemplo, que atribuam ao alimento virtudes medicinais indevidamente ou sem fundamento científico);
  • suscitem dúvidas acerca da segurança ou da adequação nutricional de outros alimentos;
  • incentivem ou justifiquem o consumo excessivo de um dado alimento;
  • incitem a consumir um produto, declarando ou sugerindo direta ou indiretamente que um regime alimentar equilibrado não fornece todos os nutrientes necessários;
  • refiram alterações das funções orgânicas que possam suscitar receios no consumidor.

Toda esta legislação não invalida toda a produção de marketing que leva a maioria das pessoas a associarem que desde que uma alegação exista no rótulo, automaticamente é um produto fantástico e se pode consumir sem controlo (também conhecido como “Health Hallo Effect”).

Um exemplo típico em relação aos produtos light, é o caso das batatas fritas. Apesar de light significar uma redução de 30% no conteúdo energético por 100g, continuam a ter um monte de calorias e a ser um alimento muito pouco rico a nível nutricional.

Ainda relativamente aos produtos light ou produtos baixos em gordura, é muitas das vezes substituída a quantidade de gordura por mais hidratos e açucares para compensar e manter um sabor que seja apelativo ao consumidor.

Já nos produtos sem açúcares adicionados por exemplo, o que a legislação implica é que não sejam nem mono nem dissacarídeos não implica que não se use os açucares presentes no produto como lactose e frutose. E o que eu vejo é a maioria das pessoas dizer: “Mas não tem açúcar!”

Continua a ter hidratos, e calorias, sorry!

Um bom exemplo são produtos que na sua constituição usam mel, fruta ou outro produto que adoce sem ser o açúcar de mesa. A maltodextrina também pode ser usada para este propósito por isso verifica a lista de ingredientes.

(os monossacarídeos são tudo o que sejam glicose e frutoses, os dissacarídeos são por exemplo a sacarose/açúcar de mesa, lactose ou maltose)

Os produtos que alegam ser ricos em Fibra ou Integrais podem ter na mesma imenso açúcar e gorduras, desde que a quantidade de fibra cumpra coma legislação. Muitas das vezes até são mais calóricos que as suas versões mais simples… Cuidado.

Se procuras um produto que seja realmente Integral não escolhas “o pão escuro”. Verifica a lista de ingredientes e confirma que a Farinha usada é realmente de um grão ao teu gosto, ou um grão integral.

Os que mais deves ter cuidado são mesmo os Zero. Mas são Zero de quê?

Zero açúcar?

Zero Gordura?

Zero Calorias?

Aqui a Royal tem um caso interessante, em que as Gelatinas têm um grande 0% lol, mas em letras pequenas diz “0% de Gordura”. Obrigado Royal, nenhuma Gelatina do Mundo tem Gordura!

PS: Eu adoro e consumo regularmente as gelatinas deles baixas em calorias, simplesmente é um bom exemplo de como podes criar um Rótulo mais apelativo ao consumidor sem oferecer nada.

Produtos sem informação Nutricional

As bebidas alcoólicas serão o nosso foco nesta parte. Normalmente são produtos que não contemplam a informação nutricional, mas continuam a ter calorias!

No entanto, não encontramos esses dados nos rótulos para vinhos e outras bebidas alcoólicas, dado que não é obrigatório na rotulagem destes produtos.

Uma das razões pela qual a informação nutricional não consta no rótulo do vinho, é porque está estipulado que o álcool não faz parte da dieta quotidiana.

As calorias variam de vinho para vinho, dependendo de:

  • Teor de Álcool por Volume (% álc./ vol).
    • Uma vez que o álcool é a principal fonte de calorias presente no vinho, não é possível que haja um número específico.
    • Basicamente, uvas mais doces fermentam e originam vinho com maior teor alcoólico.

O álcool tem aproximadamente 2 vezes mais calorias que o açúcar (7kcal vs. 4kcal) e por isso tem mais influência nas calorias do vinho do que o açúcar. Em alguns casos, um vinho doce com baixo teor alcoólico apresenta menos calorias do que um vinho seco com um grau de álcool elevado.

Para teres uma perceção destas calorias deixo-te alguns exemplos abaixo:

  • Vinho Branco Doce com Pouco Álcool ~6-9% alc.
    • 111-147 kcal por copo de 177ml
  • Vinho Tinto com Pouco Álcool ~11-13,5% alc.
    • 135-165 kcal por copo de 177ml
  • Vinho Espumante ~12,5% alc.
    • 158 kcal por copo de 177ml
  • Vinho Sobremesa (porto, …) 14-21% alc.
    • 189-275 kcal por copo de 177ml

Considerando que uma garrafa pode ter 750ml, podes consumir facilmente 600-700 Calorias sem te aperceberes naquelas jantaradas de fim de semana…

Mini Resumo

Como resumo gostei bastante deste gráfico:

Terminamos assim a parte 2, antes de avançar para o último artigo onde vamos resumir estes dois e fazer algumas recomendações para conseguires entender de que forma este conhecimento te pode ajudar a ter melhor resultados, fazendo melhores escolhas.

Como resumo:

  • Existem diferentes categorias:
    • Produtos com alusão ao conteúdo energético:
    • Produtos com alusão ao conteúdo de gordura:
    • Produtos com alusão ao conteúdo de açúcar:
    • Produtos com alusão ao conteúdo de Fibra:
    • Produtos com alusão ao conteúdo de vitaminas e minerais (baseado na DDR)
  • Toda esta legislação não invalida a produção de marketing que leva a maioria das pessoas a associarem que desde que uma alegação exista no rótulo, automaticamente é um produto fantástico e se pode consumir sem controlo (também conhecido como “Health Hallo Effect”)
  • Apesar de light significar uma redução de 30% no conteúdo energético por 100g, continuam a ter muitas vezes imensas calorias e muito pouco rico a nível nutricional
  • Produtos baixos em gordura são muitas das vezes substituídos por mais hidratos e açúcares para compensar e manter um sabor que seja apelativo ao consumidor
  • Já nos produtos sem açúcares adicionados por exemplo, o que a legislação implica é que não sejam nem mono nem dissacarídeos não implica que não se use os açúcares presentes no produto como lactose e frutose
  • Os produtos que alegam ser ricos em Fibra ou Integrais podem ter na mesma imenso açúcar e gorduras, desde que a quantidade de fibra cumpra com a legislação. Se procuras um produto que seja realmente Integral não escolhas “o pão escuro”
  • Os que mais deves ter cuidado são mesmo os Zero. Avalia o que é o Zero referido na embalagem
  • Atenção aos produtos sem informação Nutricional como os produtos alcoólicos
  • O álcool tem aproximadamente 2 vezes mais calorias que o açúcar (7kcal vs. 4kcal) e por isso tem mais influência nas calorias do vinho do que o açúcar. Considerando que uma garrafa pode ter 750ml, podes consumir facilmente 600-700 Calorias sem te aperceberes.

Se queres aprender a calcular as tuas quantidades para escolher melhor os produtos, face ao rótulo apresentado, podes fazer o download do nosso e-book gratuito aqui:

https://www.teamsiknutrition.com/2016/01/23/o-guia-da-dieta-flexivel/

 

Não te esqueças de colocar já em prática e… #descomplica

Coach João

 

Bibliografia:

Rotulagem Geral

  • Decreto-Lei nº 560/1999 de 18 de Dezembro
  • Decreto-Lei nº 156/2008 de 7 Agosto

Rotulagem Nutricional

  • Decreto-Lei nº 167/2004 de 7 de Julho
  • Decreto-Lei nº 54/2010 de 28 de Maio

Alegações Nutricionais e de Saúde

  • Regulamento (CE) 1924/2006 de 20 de Dezembro e a sua Retificação
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